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POR QUE VARIABILIDADE COMPORTAMENTAL INFANTIL É IMPORTANTE?

Crianças apresentam maior variabilidade comportamental do que outras: umas conseguem resolver um problema matemático de apenas uma maneira, enquanto outras conseguem de três maneiras diferentes para o mesmo problema. Assim, variabilidade comportamental é mudança, se comportar diferente em um estímulo discriminativo, exercendo controle sob a criança devido a sua história de aprendizagem.

A alta frequência do variar possibilita a recombinação de repertórios e está associada à “criatividade”. Uma criança criativa é aquela que recorrentemente cria algo novo e diferente, como desenvolver um romance literário ou uma música sem melodia ou mesmo pintar paisagens combinando cores. Crianças com alta variabilidade são conhecidas por serem “curiosas”, “exploradoras” e por buscarem novas “experiências”.

Há probabilidade do variar acontecer na presença do estímulo discriminativo para, a partir da resolução de problemas, obter o reforçador. Portanto, é enfatizado a importância da criança entrar em contato direto com novas e mais diversas contingências reforçadoras, sejam elas positivas ou negativas. Essa exposição favorece o “experimentar”, o descobrir novas possibilidades de se comportar e este comportamento ser reforçado, o criar alternativas para resoluções de problemas, se adaptando em um ambiente mutável. Em outras palavras, há o enriquecimento do repertório comportamental.

Crianças, como qualquer outro organismo, variam apenas o necessário para que o comportamento seja reforçado. Dessa forma, o aumento da variabilidade pode ser induzida por esquema de reforçamento intermitente ou por extinção. Há também probabilidade do variar poder ser reforçado diferencialmente. Por exemplo, a criança criar diversos desenhos de diferente formas, cores e temas, a pedido da professora e esta reforçar intermitentemente o “criar”; ou o comportamento da criança de cada variar das sequências de um bloquinho de brinquedo estar diretamente contingente com o reforçador.

Entretanto, os comportamentos de algumas crianças são governados por regras, emitidos, geralmente, pelos pais e cuidadores. Esse tipo de controle favorece o uso da repetição e estereotipia. Por exemplo: o pai exigir o seguimento das mesmas instruções de cada jogos, ou a babá pedir exatamente o que a criança deve desenhar ou pintar, ou ainda crianças aprenderem apenas pelo relato da professora sobre que animais vivem no jardim. Assim, a criança aprende, provavelmente, a somente seguir regras estritamente e não aprende a “mudar”, “combinar” e a “criar”.

Esse restringimento do variar é determinante para uma relação não saudável e, principalmente, dependente para com os pais ou cuidadores. A criança pode aprender que a cada problema surgido em sua vida, seus pais, por exemplo, irão resolvê-lo ou oferecer alguma instrução, uma vez que ela não possui repertório suficiente. Dessa forma, ela não aprende a ser autônoma e a ficar exposta diretamente às contingências, isto é, a “vida real”. Além disso, há possibilidade de ficar com “tédio”, se a contingência exigir outros comportamentos, além dos já estabelecidos, para obter o reforço.

   

Autora: Amanda Viana, aluna de psicologia da PUC-Goiás e estudante de Iniciação Científica no Laboratório de Análise Experimental do Comportamento, criadora da página Guia Prático dos Pequenos  https://www.facebook.com/guiapraticodospequenos/       

 

Referências:

http://www.comportese.com/2014/12/variabilidade-comportamental-nas-ferias

http://www.comportese.com/2015/06/a-relacao-entre-a-baixa-variabilidade-comportamental-e-um-padrao-dependente-afetivo

Hunziker, M. H. L., Lee, V. P. Q., Ferreira, C. C., Silva, A. P. D., & Caramori, F. C. (2002).

Variabilidade comportamental em humanos: efeitos de regras e contingências. Psicologia: Teoria e Pesquisa18(2), 139-147.

Neves Filho HB. Recombinação de repertórios: criatividade e a integração de aprendizagens isoladas.

Stokes, P. D. (1995). Learned variability. Learning & behavior23(2), 164-176.

Stokes, P. D. (1999). Learned variability levels: Implications for creativity.Creativity Research Journal12(1), 37-45.

 

 

 

           

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